Mito evita o sucesso do aleitamento materno após cirurgia de aumento de mamas
- Monica Macedo

- 26 de set. de 2016
- 3 min de leitura
A percepção da mulher a respeito de como o aleitamento materno terá impacto sobre a aparência dos seus seios, após a mamoplastia de aumento, influencia fortemente suas chances de sucesso no aleitamento materno, diz um estudo apresentado durante a conferência anual da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).
Segundo Norma Cruz, autora da pesquisa – The Perceived Effect of Breastfeeding on Breast Aesthetics: Does it Affect Breastfeeding Success in Women with Breast Augmentation – não é a amamentação que faz com que os seios fiquem flácidos, ao longo do tempo, e sim, o número de gravidezes.
Para realizar o estudo, a pesquisadora acompanhou os hábitos de amamentação de 160 pacientes que haviam feito a cirurgia para aumento das mamas, por duas semanas. Mulheres que foram bem ou mal sucedidas na amamentação apresentavam dados semelhantes em termos demográficos, como idade, massa corporal, tamanho do implante e local da incisão.
A única diferença significativa entre os dois grupos era a percepção sobre o efeito que a amamentação teria sobre a aparência dos seios. Entre as 63 mulheres que amamentaram com sucesso, apenas 13% acreditava que teria um efeito adverso sobre a qualidade estética de seus seios. Por outro lado, no grupo de 97 mulheres que não tiveram sucesso durante o período de aleitamento, 86% acreditava que o aleitamento materno teria um impacto negativo sobre a aparência dos seus seios.
“Se uma mulher acredita que o aleitamento materno afetará negativamente a aparência de sua mama, ela diminui suas chances de sucesso no aleitamento materno. Este equívoco é lamentável. Precisamos tranquilizar as mulheres a respeito deste tema de vital importância. O aleitamento materno não prejudica a aparência de mama e apresenta vantagens significativas para a saúde da mãe e do bebê”, afirma o cirurgião plástico, Iuri Galembeck Mitev (CRM-SP 132.051), diretor da Duo Clinic.
O médico explica que a prótese de silicone, em si, não sofre alterações durante a gravidez ou durante o período de amamentação. “Tanto a prótese colocada submuscularmente, quanto a submamária, ficam situadas abaixo da glândula mamária, não interferindo no crescimento mamário durante a gravidez e a amamentação. É importante destacar também que o silicone não interfere nem na qualidade, nem na quantidade do leite materno. A quantidade de leite produzido depende da frequência da sucção realizada pela criança, assim como das mudanças hormonais ocorridas no corpo da mulher, durante a gestação”, explica o médico.
Iuri Mitev explica que a aparência dos seios, após a amamentação, varia de acordo com a pré-disposição genética e o tamanho da mama, independentemente da presença das próteses. “A mama com prótese se comporta igual a uma sem prótese, ou seja, ela aumenta de tamanho na gravidez e no período de amamentação e regride posteriormente. Logo, como qualquer mama, pode haver uma leve ptose (queda da mama), após a amamentação, devido à existência do excesso de pele proporcionado pela distensão durante a gravidez”, afirma o cirurgião plástico.
Para manter a boa aparência das mamas, após a gestação e a amamentação, é preciso evitar o excessivo ganho de peso. “O excesso de peso provoca um estiramento da pele que pode colocar em risco o resultado de qualquer cirurgia plástica, não apenas o implante de mamas. Assim, pacientes que fizeram uma mamoplastia de aumento e engordaram muito durante a gestação devem estar cientes de que podem precisar realizar um ajuste, após o parto e o período de aleitamento. Em decorrência do aumento da mama e do estiramento da pele, a prótese pode ficar de tamanho desproporcional. Assim, após o término do aleitamento, é possível fazer a troca das próteses por outra, com um volume um pouco maior, ou fazer uma remodelagem mamária através da retirada do excesso de pele”, informa o diretor da Duo Clinic.


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