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Adolescentes negligenciam o uso do protetor solar

  • Foto do escritor: Monica Macedo
    Monica Macedo
  • 27 de dez. de 2016
  • 2 min de leitura

Quando os jovens iniciam o ensino médio, eles começam a ansiar por um bonito bronzeado… É também neste mesmo momento que a maioria dos pais “repassa aos filhos” a responsabilidade de aplicar o protetor solar diariamente. E entre a vontade de filhos e o desejo dos pais, é registrada uma tendência preocupante entre os adolescentes: nesta fase precoce da vida muitos se expõem a um elevado risco de desenvolver cânceres de pele mortais, mais tarde na vida. O alerta vem de pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center in New York, que publicaram o estudo Prospective Study of Sunburn and Sun Behavior Patterns During Adolescence na revista Pediatrics.


Para descobrir o quanto a fotoproteção era relevante na adolescência, os pesquisadores, em 2004, entrevistaram 360 adolescentes, entre 10 e 11 anos, em Massachusetts, visando registrar quanto tempo eles ficavam expostos ao sol, quantas vezes usavam proteção solar e outras atitudes sobre bronzeamento, como experiências com queimaduras solares, por exemplo.

Três anos depois desta primeira etapa, em 2007, os pesquisadores registraram que o uso do protetor solar havia caído pela metade entre os jovens. A constatação causou alarde, pois os danos do sol registrados em idade precoce têm sido associados a um risco maior de melanoma, no futuro.

Segundo Stephen Dusza, um dos autores do estudo, “os adolescentes são bombardeados com imagens e mensagens veiculadas pela mídia que associam uma aparência saudável a estar bronzeado, sem levar em conta os danos precoces causados à pele. Quando lidamos com adolescentes entre 11-14 anos, há uma série de forças que promovem o bronzeamento a qualquer custo”.

A cabeça do adolescente

“Percebo diariamente que os adolescentes associam o bronzeado à uma boa aparência. Mas é preciso esclarecê-los: o  bronzeado é a resposta do corpo à exposição UV e revela que houve danos à pele. Ou seja, houve uma inflamação cutânea como resposta à queimadura solar, independente do grau de exposição”, afirma a dermatologista da Duo Clinic, Graziela de Faria Anguita (CRM-SP 127.055).

Para a médica, os dados revelados pela pesquisa norte-americana refletem a falta de campanhas de saúde pública sobre a prevenção do câncer de pele.  O número de casos de melanoma nos Estados Unidos tem aumentado, nas últimas três décadas, e cerca de 70.230 novos casos serão diagnosticados este ano, segundo a Sociedade Americana do Câncer. Por aqui, segundo dados do INCA, Instituto Nacional do Câncer, em 2012, 6.230 novos casos de melanoma serão registrados, sendo 3.170 homens e 3.060 mulheres.

“O melanoma é uma forma grave de câncer de pele, pois pode se espalhar para outras partes do corpo. Dependendo do tipo de melanoma, se diagnosticado e tratado precocemente as perspectivas são boas, mas as chances de cura são baixas se o câncer for diagnosticado numa fase tardia”, informa a médica.

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